Diabetes: se os casos só aumentam, será que a medicina está conseguindo fazer a sua parte?

Dia 14 de novembro é o dia mundial do Diabetes. Nesse dia ocorre uma enorme mobilização, a nível mundial, para conscientizar a respeito do Diabetes e de todas suas consequências devastadoras.

Um dos grandes problemas é que a Diabetes tipo 2, na maioria das vezes, é silenciosa.

A pessoa ao longo dos anos vai desenvolvendo o principal mecanismo de gênese da doença que é a resistência à insulina, sem se quer apresentar nenhum sintoma.

Muitas vezes, a obesidade abdominal e alguns exames de sangue alterados, precedem o desenvolvimento do doença. A este perfil é dado o nome de pré-Diabetes. Porém nada mais é do que um grau mais leve desse desarranjo metabólico da insulina e da glicose.

Dia mundial da diabetes 2016

O exame laboratorial de diagnóstico é a glicemia, que na verdade representa um resultado de toda uma adaptação e esforço do organismo em manter o nível adequado de glicose. No entanto, muito antes do diagnóstico de Diabetes, as alterações metabólicas silenciosas já estão sendo instaladas e os mecanismos compensatórios estão à todo vapor. E é justamente a falência dessa adaptação que nós convencionamos chamar de Diabetes. 

Então, dá pra imaginar que a história natural da doença é a seguinte: a pessoa tem uma dieta ruim, com hábitos e estilo de vida ruins ao longo de anos. O pior exemplo seria, uma pessoa sedentária, que fuma, que está acima do peso, bebe regularmente, é muito estressada, tem pouca exposição solar e tem uma dieta rica especialmente em carboidratos refinados, óleos vegetais e produtos industrializados. Com o passar do tempo o organismo vai desenvolvendo adaptações à nível metabólico e celular.  No caso, as células vão desligando seus receptores de insulina justamente pois estão se protegendo dessa constante carga de glicose e assim vão desenvolvendo o que nós chamamos de resistência à insulina.

Com isso, o organismo entende que está com pouca insulina e assim produz cada vez mais para que possa manter os níveis de glicose adequados. Se esse padrão se perpetua, com o passar do tempo, chega um momento em que a insulina, já super elevada e com dificuldade em fazer seu papel, não consegue mais manter a glicose dentro do que nós consideramos normal, e assim é feito o diagnóstico.

Então dá pra imaginar que se passaram anos nesse padrão até que se instale o Diabetes. 


Diabetes, pelo menos o tipo 2, não é um doença de instalação rápida. É resultado de uma lenta progressão. Sendo assim, temos muita oportunidade, ou melhor muitos anos para perceber e modificar esse desfecho.

E sendo a glicemia de jejum, o nosso exame de triagem, um resultado desse desarranjo metabólico, será que ela é um bom parâmetro para rastrear essa doença? Será que justamente essa ferramenta diagnóstica não está atrasando o diagnóstico?

 

Infelizmente a medicina atual está mais voltada ao tratamento da doença do que à prevenção dela.  Apesar do esforço da prevenção ser muito menor, muito mais efetivo, e a nível populacional, ser muito mais econômico. 

E nem vou entrar no mérito do tratamento, que esse sim é outro tópico ainda mais polêmico. Só quero fazer um lembrete: se diabetes é uma doença de predominantemente muita insulina, seria lógico tratar com insulina ou estimular ainda mais à insulina com as medicações que temos disponíveis?