Entenda por que você não emagrece mesmo reduzindo calorias

A principal teoria da origem da obesidade era a chamada teoria do balanço calórico. Era senso comum acreditar que é simplesmente uma questão de desequilíbrio entre as calorias consumidas e calorias gastas. Esta seria a equação da obesidade. Isto nos parece tão irrefutável, que nós nem questionávamos outras possibilidades.

queimando calorias


Segundo a lógica deste balanço calórico, tão logo você percebeu que estaria ganhado peso, bastaria reduzir um pouco as calorias e aumentar o gasto energético, com mais atividade física, que você ficaria ótimo outra vez.

Ou ainda, quando nos mantemos estável no peso significa que estamos precisamente equilibrados com nossa ingesta e gasto calórico! Deveria ser, se a teoria funcionasse na prática.

Só criar um déficit calórico não garante redução de peso.

O conceito de caloria foi uma forma de padronizar os alimentos e achar um cociente em comum para poder compará-los entre si. É simplesmente uma unidade de medida. Representa a quantidade de energia necessária para elevar 1g de água a 1 grau de temperatura. Ou melhor, é a medida do calor liberado pela queima do alimento. Portanto o efeito dos alimentos no nosso organismo não pode ser avaliado somente pelas calorias, já que este é um parâmetro que só serve para calcular a quantidade de energia de cada alimento. Os efeitos no nosso organismo estão muito mais relacionados a composição dos macronutrientes (gordura, carboidrato e proteína), do que a quantidade de energia.  

3/4 donuts = 200 calorias

2 pés de alface = 200 calorias

 

Além disso nós assumimos que o gasto calórico do nosso corpo é basicamente promovido pelo exercício. No entanto a maioria da energia gerada pelo nosso corpo é utilizada para manter a temperatura corporal e para as reações metabólicas. Este gasto basal de energia também não é estável, e pode mudar em até 50%.

Na verdade o mecanismo de engordar ou emagrecer não é só resultado de uma conta simples de adição ou subtração.
Há um série de sistemas hormonais envolvidos  na gênese do ganho de peso. Alguns exemplos de hormônios envolvidos no mecanismo direto e indireto da fome e saciedade são: a leptina, a grelina, a colecistoquinina, a insulina, o cortisol e etc.

Além disso, nosso organismo é muito inteligente. Quando reduzimos nosso consumo de alimentos, ou aumentamos nosso gasto de energia com o aumento do exercício, o corpo reduz seu gasto de energia.

Reduz a temperatura corporal, a pressão sanguínea, a freqüência cardíaca e assim reduz seu gasto energético para poupar energia. Alguns hormônios farão com que você fique com fome e ávido por alimentos de rápida absorção. O corpo luta por manter os parâmetros de nutrição e de metabolismo (independente se você estivesse obeso). Alguns estudos demonstraram que mesmo após um ano com o novo peso, o organismo ainda assim tentar retornar ao peso prévio a dieta (*). Nosso organismo é muito sábio e mobiliza todos os esforços para manter a inércia.

Reduzir a ingesta de calorias leva inevitavelmente a reduzir o gasto de energia.

A origem da obesidade está muito mais ligada a todos os fatores que por fim irão fazer com que os hormônios criem um ambiente desfavorável a queima de gorduras.

Resumindo, cortar calorias e aumentar exercício não é uma boa estratégia de emagrecimento. O foco na perda de peso deve ser justamente mudar o ambiente hormonal, principalmente através da dieta, que favoreça a queima de gorduras, não simplesmente só reduzir ou gastar mais calorias.


intensivedietarymanagement.com, Dr. Jason Fung.

William Davis, 2011. Wheat Belly: Lose the Wheat, Lose the Weight, and Find Your Path Back to Health

Gary Taubes, 2007. Good Calories, Bad Calories: Fats, Carbs, and the Controversial Science of Diet and Health.

* Long-term persistence of adaptive thermogenesis in subjects who have maintained a reduced body weight. Michael Rosenbaum et all. Am J Clin Nutr October 2008, vol. 88 no. 4 906-912