Você ainda usa óleo de Canola?

Você ainda usa óleo de Canola? Entenda porque você deve para de usar.

Há muito tempo o óleo de canola tem sido recomendado como uma boa opção para utilizar na culinária. Será mesmo que é uma boa opção?  Entenda a história deste óleo vegetal.


Colza (brassica napus)

O óleo de canola é um termo genérico internacional, não uma marca registrada, que se refere ao óleo de variedades de plantas de três espécies da família das crucíferas, pertencentes ao gênero Brassica (napus, rapa e juncea).
Há relatos de uso das variedades oleaginosas do gênero Brassica há mais de 2.000 anos. No entanto, a produção e o uso desses óleos, ganhou força quando foi constatado que o óleo de colza (Brassica napus) era um ótimo LUBRIFICANTE para superfícies de metal, sendo na época utilizado para máquinas à vapor.

Com a Segunda Guerra Mundial, houve um grande aumento na demanda deste óleo como lubrificante para o crescente número de máquinas a vapor em embarcações navais e mercantes. Ao mesmo tempo, a guerra limitou o acesso às fontes européias e asiáticas de óleo de colza, e a sua consequente escassez levou à expansão da produção no Canadá.


Depois da Segunda Guerra, houve uma queda drástica da demanda, e agricultores começaram a procurar outros usos para a colza. Extratos de óleo de colza foram colocadas no mercado em 1956-1957 como produtos alimentares, mas estes possuíam várias CARACTERÍSTICAS DESFAVORÁVEIS, como um sabor forte e cor esverdeada. Além disso, o óleo desses vegetais, em estado natural, contém o ÁCIDO ERÚCICO e GLUCOSINOLATOS que são tóxicos em doses altas.  O consumo dessa óleos naturais pode causar queimaduras, bolhas, lesões nos órgãos internos, e até morte.

Em 1981, ocorreu o caso da "Síndrome do Azeite Tóxico", nome dado a um intoxicação massiva na Espanha que foi atribuído ao consumo do óleo de colza (Brassica napus). O azeite de colza de uso industrial, foi vendido para consumo como se fosse de oliva - morreram mais de 1.100 pessoas e 20.000 ficaram feridas.


Como o óleos desses vegetais tinham um teor muito elevado de Ácido erúcico e de Glucosinolatos, foram criadas variedades geneticamente modificadas com níveis menores dessas substâncias. A esse óleo deu-se o nome de CANOLA.

Canola significa Canadian oil, low acid, que quer dizer azeite canadense de baixo teor ácido.

"...um óleo que deve conter menos de 2% de ácido erúcico e cada grama de componente sólido da semente seca ao ar deve apresentar no máximo de 30 micromoles de glucosinolatos " (Canola Council of Canada, 1999).


A mudança de nome serviu para distinguí-lo do óleo natural das variedades disponíveis até o início dos anos 70, que tinham um teor muito mais elevado de ácido erúcico.

óleo de canola


O azeite começou a ser produzido pela primeira vez no Canadá por Keith Downey e Baldur Stefansson na década de 1970. No Brasil, ficou conhecido popularmente como óleo de canola.

O óleo canola é alardeado pela indústria como um dos óleos mais saudáveis que existe no mercado por causa do baixo conteúdo de gordura saturada e alto (quase 60%) conteúdo de gorduras monoinsaturadas. 

Justamente pelo fato de ser um óleo composto principalmente de gorduras insaturadas é que ele é ruim.

Quando você está cozinhando em uma alta temperatura (próximo de 180°C), as estruturas moleculares de gorduras e óleos se modificam. Acontece o que é chamado de OXIDAÇÃO – elas reagem com o oxigênio do ar formando aldeídos e peróxidos de lipídios. O que ocorre é que as gorduras POLI-INSATURADAS, que representam a MAIORIA DOS ÓLEOS VEGETAIS, são mais INSTÁVEIS quando submetidas ao calor e desta forma sofrem mais o processo de oxidação, gerando altos níveis de aldeídos. O consumo de aldeídos, mesmo que em pequenas quantidades, tem sido relacionado ao aumento no risco de desenvolver doenças cardiovasculares e câncer. Já as gorduras SATURADAS, são muitos mais ESTÁVEIS sendo bem menos ou quase nada oxidadas.

Alimento conservado na banha de porco

As gorduras saturadas, têm a tendência de se SOLIDIFICAR em temperaturas baixas. Alguns exemplos são a manteiga, a banha de porco, a gordura da picanha, a gordura do côco e a manteiga de cacau. Essas gorduras são tão estáveis que quase não ficam rançosas, não precisam refrigerar, inclusive são usadas como conservantes.

Além disso, na mesma época em que a agricultura buscava outros usos para o óleo de colza, a gordura saturada, foi ERRONEAMENTE vista como causadora de aterosclerose e doenças cardiovasculares.


Com isto, a indústria alimentícia estava à frente de uma enorme oportunidade. Precisava de uma gordura/óleo, que deveria ser saudável, que tivesse um sabor bom, fosse barata e que estivesse facilmente disponível. A Canola se encaixou perfeitamente nesses requisitos e assim ganhou força como óleo saudável.

 Infelizmente até hoje muitos ainda acreditam de que um óleo vegetal industrialmente modificado é mais saudável do que uma gordura natural.