O que é o colesterol


O colesterol é uma das substâncias mais mal compreendidas da natureza. Os seres humanos seriam incapazes de sobreviver sem o colesterol, pois é um nutriente vital. Ele é um componente essencial de todas as células do corpo, pois está presente na membrana plasmática da parede das células. É também a substância precursora na formação de vários hormônios, entre eles, o estrogênio, a progesterona, testosterona, vitamina D, cortisol e adrenalina. Além disso, é essencial para o bom desenvolvimento e funcionamento do cérebro e sistema nervoso, e é parte integrante da produção dos sais biliares. Sua presença é tão fundamental que, todas as células do corpo humano são capazes de sintetizá-lo, exceto os neurônios.

 

Dieta e colesterol

colesterol saudável


Por milhares de anos os seres humanos consumiram uma dieta rica em fontes naturais de colesterol e não apresentavam como consequência doença cardiovascular ou diabetes. No entanto, a partir da década de 50, se acreditou que comer alimentos ricos em colesterol, elevaria o nível dessas gorduras no sangue e assim aumentaria nossas chances de desenvolver doença cardiovascular. Ao longo dos anos, alguns dos alimentos mais nutritivos, como ovos, manteiga e carnes de animais, tornaram-se demonizados pelos profissionais de saúde e assim, esses alimentos naturalmente ricos em colesterol, foram praticamente extintos das nossas dietas.
Aproximadamente só 25% da nossa necessidade diária de colesterol é proveniente da dieta e os 75% restantes vem da produção endógena (do próprio corpo).

A ingestão de alimentos ricos em colesterol têm muito pouco impacto sobre os nossos níveis de colesterol no sangue.

A maior parte do que consumimos de colesterol não é absorvido pelo corpo, e é excretado pelo nosso intestino. Quase todo o colesterol do nosso corpo é proveniente da produção pelo próprio organismo (parte dele pelo fígado), e não da nossa dieta. Portanto, restringir a nossa ingestão de colesterol tem pouco efeito sobre nossos níveis de colesterol. 

 

Os exames do colesterol


Quando fazemos exames para medir nosso colesterol, na verdade estamos medindo as partículas HDL, LDL, que são proteínas que transportam o colesterol de uma lado para o outro na corrente sanguínea. Inicialmente eram todas medidas juntas e tudo era chamado de colesterol. Porém se identificou que elas eram diferentes e a partir daí de estabeleceu que, a que transportava o colesterol bom seria a HDL e a que leva o colesterol ruim seria a LDL. Entretanto mais recentemente também se observou que há diferenças entre as partículas de LDL surgindo assim uma nova divisão, o LDL A e o LDL B. As que transportam o colesterol que na verdade também está bom, são partículas grandes, leves e macias, e a elas foi dado o nome de LDL A. Já a lipoproteína LDL que leva o colesterol que já passou por um processo de oxidação, acabou por ficar pequena, dura e densa, levando o nome de LDL B. Esta sim é a partícula ruim!

O colesterol LDL não é um problema para o corpo até que ele se torne oxidado! Este é o real colesterol ruim!

Bom, então fazer os exames para medir o colesterol HDL e LDL se torna confuso e de "difícil” interpretação. Já sabemos que o HDL representa a porção boa do colesterol, porém vimos que parte do LDL também carrega colesterol bom. Entretanto ao medirmos o LDL em laboratório estaremos vendo um resultado que soma a porção boa e ruim (a oxidada), e assim perde-se o valor de usar este exame como refêrencia. O que alguns estudiosos do assunto* indicam é simplesmente não valorizar o valor do LDL ( já que representa parâmetros opostos somados) e utilizar os triglicerídeos e o HDL como referência. Ou melhor, utilizar a relação triglicerídeos por HDL. Infelizmente a maioria dos profissionais de saúde não está alerta a estes novos conceitos e muito provavelmente seus exames serão interpretados a “moda antiga”. Um exame de LDL de 250, poderá ser erroneamente alarmante e poderá lhe custar o uso de medicações que muitas vezes pioram a qualidade de vida e possivelmente não lhe trarão beneficio algum!

 

Como o colesterol passa a ser ruim

açúcar


Bom, então já vimos que o colesterol só é prejudicial se está em suas formas oxidadas. Uma das maneiras do colesterol tornar-se oxidado é durante o processamento de alimentos, como a transformação de leite integral em leite desnatado, leite em pó e ovo em pó.
A outra forma, e talvez o principal mecanismo que danifica nosso colesterol, é a presença de açúcar na corrente sanguínea.


O açúcar (em qualquer forma, como carboidratos do trigo/batata/frutas) é o principal responsável por danificar o colesterol no nosso organismo.

A glicose reduz nosso colesterol bom, eleva os triglicerídeos e oxida nosso colesterol LDL, formando aquelas partículas ruins. Além disso, o açúcar também é um dos responsáveis pelo aumento de peso e assim o desenvolvimento de síndrome metabólica ou pré-diabetes e Diabetes.

O açúcar é a verdadeira causa da maioria dos ataques cardíacos, NÃO o colesterol LDL.

Outras substâncias e processos inflamatórios também podem causar a oxidação do colesterol saudável no interior do corpo. Entre uma das mais frequentes são as toxinas resultantes da combustão do cigarro. Este é um dos principais mecanismos pelo qual o cigarro está super associado a doença cardiovascular. As inúmeras substâncias tóxicas liberadas pela fumaça do cigarro, fazem com que as partículas de colesterol, tanto LDL quanto HDL, sofram oxidação e assim dá-se início a um processo inflamatório que vai culminar com a aterosclerose.

 

doença cardiovascular

Sabemos que o desenvolvimento de doença cardiovascular é resultado de múltiplos fatores. Um fator essencial na doença cardiovascular/coronariana é sem dúvida a inflamação crônica no local. Esta inflamação é induzida pela presença constante de glicose e insulina em excesso. O colesterol também está presente, porém assim como o policial está na cena do crime. Ele está lá para proteger e reparar a artéria que sofreu dano pela inflamação. 
Se esta inflamação se torna constante, há uma tendência a entrar num ciclo vicioso, e assim se dará o início da formação da placa de aterosclerose nas artérias. Ter colesterol elevado não significa mais risco de infartar.

ataque cardíaco
Para se ter uma idéia 75% das pessoas que tiveram um infarto apresentam níveis normais de colesterol.

O real problema está com os níveis de glicose e insulina, esses sim fundamentais na gênese da doença cardiovascular. Além disso a presença do colesterol bom é também essencial para o bom funcionamento do organismo. Então, não importa quanto colesterol você tenha, se não há inflamação crônica, não deve estar ocorrendo dano celular.

Pelo contrário, ter colesterol bom circulando no corpo é muito saudável.

Países que apresentam um média mais elevada de colesterol, como o Suíça e a Espanha, tem menos doença cardiovascular, do que os americanos. Pacientes idosos com o colesterol baixo têm maior de risco de morte do que comparado aos idosos com colesterol mais elevado!

 

O colesterol deve ser tratado?

Statinas


Uma medida (ou tratamento) para reduzir todo o colesterol LDL, simplesmente não é a melhor opção para prevenir doença cardiovascular. A verdade é que se você nunca teve infarto, reduzir seu LDL não irá prevenir de que você tenha este desfecho. O foco da prevenção não deve ser reduzir todo o LDL, visto os benefícios essenciais dessas partículas. Devemos focar o tratamento em dois pilares: buscar aumentar as partículas boas (do LDL e do HDL), que são saudáveis; e evitar alimentos que promovem inflamação crônica (açúcares e carboidratos que se transformam em açúcar). 


Ao conduzirmos a prevenção dessas doenças somente com dieta, acabaremos por enfrentar uma grande barreira: prescrever somente dieta não é lucrativo para a agricultura, para a insústria alimentícia e muito menos para a indústria farmacêutica.

A força desses setores provavelmente faz manter as recomendações ultrapassadas e um tanto desonestas com nossa saúde. 

Uma dieta bem orientada conseguiria promover uma prevenção efetiva, com um custo barato, porém o único beneficiário seria tão somente nossa saúde.