É curioso dizer isto, mas se você perguntar para várias pessoas porque elas acham que estão gordas, sabe qual será umas das respostas?

Devo ter algum problema hormonal. Acho que tenho Tireóide.
sem bateria

Quando o médico investiga as causas da obesidade, umas das primeiras hipóteses diagnósticas a ser elucidadas é realmente o hipotiroidismo. Obesidade e sobrepeso são claramente sintomas de hipotiroidismo, que nada mais é do que uma deficiência de hormônios da tireóide. Como se o organismo estivesse com a pilha fraca.

Excluir este diagnóstico, na grande maioria das vezes, é bem simples, com 2-3 exames de sangue pode-se descartar. E deve ser excluído mesmo.  Porém prontamente afastado esta possibilidade, vem a decepção do paciente, reforçada muitas vezes por desconhecimento do profissional de saúde, de que ele não tem nenhum problema hormonal como origem da sua obesidade. Aí, que começa toda a confusão em torno dos conceitos que cercam o emagrecimento! Claro que isto não se aplica a toda comunidade de saúde, mas há uma parcela enorme que desconhece esses conceitos.


A obesidade tem sua origem na bases hormonais que regulam os açúcares e as gorduras da nossa alimentação e do nosso corpo. O paciente estava certo, em achar que tinha uma problema hormonal. Ele tem mesmo. Só não sabia qual hormônio tinha criado esse ambiente metabólico favorável ao aumento de peso.
insulina

Insulina

O hormônio mais responsável pelo aumento de células de gorduras é a insulina, e em menor grau o cortisol. Esses hormônios nos levam a adotar comportamentos como, comer mais, se exercitar menos, ou reduzir nosso gasto de energia e assim caminhar, ou melhor, se arrastar à obesidade.

Nossas células de gorduras são reguladas, assim como o resto do corpo, por hormônios. E esses hormônios ao mesmo tempo influenciam outros hormônios, por exemplo, os que regulam a fome e a saciedade, para que todos juntos alcancem o mesmo objetivo. Como se fosse uma equipe de vendas que precisa bater uma meta. Se o líder da equipe propõe que se aumente os estoques de gordura, todos trabalharão juntos para alcançar essa meta.


A principal função da insulina é regular o manejo da glicose na corrente sanguínea. Ela é classificada como um hormônio anabolizante (de crescimento celular, ou melhor induz as células a crescer, células de gorduras, músculos e etc)


Pra se ter uma idéia, a insulina é necessária para que a glicose seja utilizada como fonte de energia para as células. A insulina é tão prontamente reconhecida como responsável pela obesidade, que quando se prescreve insulina, tanto o médico quanto o paciente já sabem que o paciente irá engordar! E quanto mais insulina mais gordo irá ficar. Aliás em 1923, a insulina era inclusive utilizada para tratar crianças gravemente desnutridas.


Então se o mecanismo principal é a insulina, temos que olhar de perto se não é isto que está nos fazendo engordar, ou dificultando nosso emagrecimento. Estou falando disso, pois justamente aqui entra conceitos que avaliam como está nossa insulina.


Resistência à insulina:


As pessoas produzem e respondem diferentemente quando sua insulina é estimulada. Isto exatamente quer dizer que a resposta da insulina é diferente entre as pessoas. Quando comemos uma comida com mais teor de açúcar, algumas pessoas vão liberar o mínimo necessário de insulina para absorver essa glicose. Já outras, vão produzir insulina além do necessário, pois o mecanismo de funcionamento está debilitado justamente pela exposição crônica a altos níveis de insulina e glicose.

E isto é o que chamamos de resistência à insulina, quando o organismo já não funciona direito com os níveis normais de insulina e acaba precisando produzir cada vez mais insulina para realizar as mesmas funções.


Conforme nossa insulina deixa de funcionar como antes, o organismo como efeito compensatório, produz cada vez mais insulina, o que é chamado de hiperinsulinemia. A resistência à insulina é também resultado da exposição crônica de níveis elevados de glicose no sangue. É uma condição adquirida a longo prazo. Ninguém fica resistente à insulina de um dia para o outro. Devido a esta resistência à insulina que adquirimos com o passar dos anos, é que engordamos alguns quilos conforme vamos envelhecendo e por isto também, que a cada ano que passa fica mais difícil emagrecer. Pergunte a qualquer mulher de 50-60 anos, e ela lhe dirá: "Ah, quando eu casei eu era bem magrinha, mas com o passar do tempo..." 

Outras doenças também estão associados com resistência insulina e a hiperinsulinemia, como Síndrome dos Ovários Policísticos; síndrome Metabólica ou Síndrome X (que nada mais é do que a manifestação dos sinais e sintomas da resistência à insulina, como glicose elevada, obesidade abdominal, colesterol HDL baixo, triglicerídeos elevados e hipertensão arterial); e o grau máximo de manifestação de resistência à insulina que é representado pelo Diabetes Mellitus tipo 2.

A Diabetes é a manifestação desse excesso de insulina e de toda sua repercussão, que é o mau controle da glicose, níveis elevados de triglicerídeos, níveis baixos de colesterol HDL, pressão arterial alta, obesidade abdominal, todas as complicações crônicas do Diabetes, como problemas nos nervos periféricos, nos olhos, nos rins, além de risco aumentado para desenvolver outras enfermidades como doença cardiovascular, Doença de Alzheimer, entre outras.

obesidade abdominal

O que eu quero dizer com tudo isto é que precisamos justamente modificar esse cenário hormonal a nosso favor, exatamente na direção oposta que a insulina nos leva. A dificuldade em que algumas pessoas tem em emagrecer e seguir qualquer dieta, está provavelmente relacionada a esta (na maioria das vezes silenciosa) resistência à insulina. E esse desfecho pode ser simplesmente alterado com mudanças na dieta!

Sei que falar é bem mais fácil do que fazer. E este é o meu trabalho